Capítulo Doze

O Caminho da Salvação — Não é a Confissão ou a Oração

Vimos nos capítulos anteriores que o caminho para uma pessoa ser salva não é por meio do cumprimento da lei, das boas obras ou do arrependimento. Aqui devo esclarecer um ponto: estamos somente discutindo o modo da salvação e não a condição para a salvação. Isso é devido ao fato de que simplesmente não se requer nada do homem para ele ser salvo. Deus preencheu todos os requisitos. A pergunta diante de nós agora é: Qual é o caminho para sermos salvos? Não estamos tratando da questão da condição, pois isso implica que a pessoa tem de labutar por sua salvação.

O CAMINHO DA SALVAÇÃO NÃO É A CONFISSÃO

Agora iremos considerar o quarto “não é”. Agradecemos a Deus porque, nos últimos anos, Ele se moveu em vários lugares e fez com que várias pessoas se conscientizassem do que é o pecado e da necessidade de o Senhor Jesus ser o Salvador delas. Porém, sem entendimento da Bíblia, freqüentemente elas adicionam suas próprias palavras às das Escrituras. Fazendo assim, elas inventam diferentes maneiras para a salvação, tal como o cumprimento da lei, boas obras, arrependimento e assim por diante. O método popular hoje é a confissão dos pecados. Existem alguns que defendem que salvação é pela confissão, que é necessário ao homem não somente se arrepender, mas confessar seus pecados. Certa vez ouvi uma pessoa, muito usada pelo Senhor, dizer que quando Jesus morreu, Ele pregou na cruz pedaços de papel nos quais nossos pecados foram escritos, e em cada folha foi escrito um dos nossos pecados. Ele disse que quando recebemos o Senhor Jesus como Salvador, temos de confessar nossos pecados diante de Deus ou diante dos homens. Uma vez que a confissão é feita com relação a certo pecado, o registro daquele pecado é removido da cruz. Em cada confissão adicional seria removido outro pedaço de papel. Você seria finalmente salvo quando todos os seus pecados tivessem sido confessados e todas as folhas de papel fossem rasgadas. O que esse homem pregava não era o evangelho de Deus nem o do Novo Testamento; ele introduziu um evangelho humano, o qual afirma que se uma pessoa confessar ao homem e a Deus, seus pecados ainda terão que ser removidos da cruz. Ele falhou totalmente em não perceber o que o Senhor Jesus cumpriu.

Ainda posso lembrar-me do caso de um irmão de Kulim que não tinha estudo e que estava em Xangai há algumas semanas. Ele era eletricista. Era semi-analfabeto até recentemente. Algum tempo atrás podia somente identificar o pronome “Eu” e não “Nós”. Não era capaz de reconhecer a maioria das palavras num versículo bíblico, e precisava pedir ajuda sete ou oito vezes para ler um simples versículo. Certa vez ele me disse: “Fui ouvir um sermão de uma pessoa muito famosa. Esse homem afirmava que devemos confessar nossos pecados em público; assim, cada pecado que confessamos será pregado na cruz. Se não confessarmos nossos pecados abertamente para crucificá-los, não poderemos ser salvos. Ele disse que precisamos crer na palavra da cruz e se não pregarmos nossos pecados na cruz pela confissão, não haverá maneira de sermos salvos, pois isso significaria que não confiamos na cruz. Depois do sermão, o pregador fez perguntas para a audiência para ver se havia algum ponto que não estava claro”.

“Sr. Nee”, continuou o irmão, “eu não estudei. Se tivesse de me levantar na reunião para ler um versículo das Escrituras, as pessoas iriam provavelmente corrigir-me sete ou oito vezes. Mas quanto mais eu ouvia o homem falar, mais sentia algo a me incomodar. Senti que o Espírito Santo não me deixaria ir, a menos que eu me levantasse. Mas realmente não sabia o que falar. Finalmente levantei-me. Lá estava o pregador no púlpito e aqui estava eu em pé. Eu perguntei: ‘De acordo com sua pregação somos salvos pela nossa própria cruz ou pela cruz de Cristo?’ e sentei-me. Sr. Nee, pode me dizer se fiz a pergunta certa?”

Eu falei ao irmão que nem um doutor em teologia ou um supervisor paroquial teria tal clareza. Essa é a questão-chave: Somos salvos por nossa própria cruz ou pela cruz de Cristo? É a cruz de Cristo ou a minha própria cruz que me salva? Aquele sermão foi, sem dúvida, a palavra da cruz, mas qual cruz? Quando Paulo disse: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2:2), ele não fez alusão a Cristo e à cruz, mas a Cristo e a Sua cruz. Caro leitor, não somos salvos por nossas próprias obras, mas pela cruz de Cristo. Todavia o homem equipara confissão de pecados com obras e tenta ser salvo por meio de tal confissão. Essa é a razão pela qual devemos considerar agora o que a Bíblia nos diz sobre confissão. Devemos examinar toda a Bíblia para achar a posição adequada que devemos tomar quanto a esse assunto.

CONFISSÃO NA BÍBLIA

Permitam-me primeiramente dizer algumas palavras a fim de que não pensem que não creio em confissão ou restituição. Os cristãos devem confessar seus pecados e fazer restituição. Admito que essas são verdades na Bíblia e, como tais, devem ser aplicadas. Mas tenho de acrescentar que a Bíblia nunca considera a confissão como um caminho para a salvação. Se pensamos que podemos ser salvos por meio da confissão, então a solução para o problema dos nossos pecados ainda não está clara para nós. Estamos presumindo que há outro método de redenção fora a cruz de Cristo. Podemos até imaginar que podemos lidar com nossos próprios pecados diante de Deus e dos homens sem a cruz de Cristo.

1 JOÃO 1:9

Vejamos um versículo que muitas pessoas gostam de citar, 1 João 1:9, que diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Há algumas pessoas que, baseadas nesse versículo, afirmam ser a confissão realmente um requisito para a salvação. Porém tenho de chamar a sua atenção para alguns pontos nesse versículo. Primeiro, o que é mencionado aqui, definitivamente não é uma confissão pública. A Primeira Epístola de João, capítulo 1, versículo 9, trata de nossos problemas diante de Deus quando diz: “Se confessarmos os nossos pecados”. Isso é diferente da prática comum de confissão diante dos homens. Em 1 João 1:9 nada é dito sobre confissão pública.

Segundo, o pronome nós nesse versículo não é o mesmo pronome usado nos livros de Romanos e Gálatas. Em 1 João 1:9, esse pronome nada tem a ver com os judeus. A Primeira Epístola de João também é diferente do evangelho de João. O Evangelho de João mostra-nos como um incrédulo pode obter vida, enquanto sua epístola conta-nos como alguém que tem vida demonstra diante do homem que de fato possui essa vida. Seu evangelho revela a maneira de receber vida, enquanto sua epístola revela como alguém que possui tal vida demonstra o que possui. Então, devidamente explicado, o “nós” no versículo 9 de 1 João 1 não se refere aos pecadores, mas aos cristãos. O Evangelho de João descreve como um pecador é justificado por Deus, mas a Primeira Epístola de João mostra como um cristão pode restaurar sua comunhão com Deus. A palavra na epístola não discute como o mundo pode crer em Jesus para obter a vida eterna. Ela indica como podem ser perdoados por Deus os pecados de alguém que tem a vida eterna, e como tal filho de Deus que falhou pode ser purificado de sua injustiça. Portanto, esse versículo faz referência somente aos cristãos, aos que foram salvos e justificados, que possuem a vida eterna.

Lembre-se de que alguém salvo é perdoado pelo fato de confessar seus pecados, ao passo que uma pessoa não-salva é perdoada dos seus pecados pela fé. Pecadores são perdoados por crerem no Senhor e os cristãos são perdoados por confessarem seus pecados diante do Pai. O versículo 9 de 1 João 1 não trata dos pecados de um pecador, mas com os de um cristão; não com os pecados cometidos antes da salvação de uma pessoa, mas com os cometidos depois de a pessoa ter sido salva. Conseqüentemente, esse versículo nada tem a ver com o nosso assunto do momento.

Agora, eu não seria tão rigoroso em dizer que esse versículo pode somente ser aplicado aos cristãos. Pelo contrário, admitiria que alguém pode tomá-lo emprestado das Escrituras e utilizá-lo para fazer com que as pessoas sejam salvas. Recentemente uma irmã contou-me que certa senhora foi salva ao ler a frase:“A semente é a palavra de Deus” (Lc 8:11). Não sei como isso pode ter acontecido. Quando eu preguei o evangelho pela primeira vez, estava convencido de que temos de usar porções esclarecedoras das Escrituras a fim de salvar as pessoas. Porém muitas experiências recentes ensinaram-me, digo isso reverentemente, que muitos são salvos por meio de versículos estranhos. Não se pode imaginar que alguns versículos tão estranhos podem salvar as pessoas. Não estou insistindo que nenhum pecador pode ser salvo por meio de 1 João 1:9. Estou dizendo que quando João foi movido pelo Espírito Santo para escrever sua Epístola, em sua mente esse versículo referia-se aos cristãos e não aos pecadores. Originalmente ele escreveu para os cristãos. Embora alguém possa temporariamente tomar emprestada essa palavra e aplicá-la a um pecador, ele não pode continuar tomando-a emprestada. Estritamente falando, tal versículo refere-se aos cristãos e não implica que alguém tenha de confessar seus pecados publicamente e fazer restituição aos outros para ser perdoado.

MATEUS 3:5 e 6

Existem ainda outros dois versículos que parecem ser até mais óbvios do que 1 João 1:9; são os versículos 5 e 6 de Mateus 3, que dizem: “Então, saíam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados”. Aqui nos é dito que quando as pessoas ouviram o testemunho de João e perceberam sua própria pecaminosidade, foram até João para serem batizadas por ele e confessaram os pecados enquanto eram batizadas. Novamente, alguns pontos devem ser notados nesses versículos. Primeiro, nenhum dos dois versículos indica que as pessoas tomaram a confissão como o caminho da salvação. Elas não tentaram obter salvação pela confissão. É simplesmente dito que elas escutaram a pregação de João sobre arrependimento, foram compelidas pelo Espírito a ser batizadas e a confessar os pecados. Elas estavam, de fato, olhando para o próprio Senhor, que estava para passar pela morte e ressurreição, e em quem esperavam para a salvação. Embora João batizasse, suas mãos estavam, na verdade, conduzindo-as ao Senhor Jesus que estava entre elas. Foi ele que disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1:29). O batismo da igreja e o de João Batista referem-se ao Cristo que morreu e ressuscitou. João prontamente admitiu quão pequeno era, declarando: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30) e que o povo não devia crer nele, mas Naquele que viria. Embora tivesse preparado o caminho, ele não era o caminho; o caminho era Aquele que viria, o qual ele anunciava.

Como, então, as confissões eram feitas? Como João não falou para eles confessarem seus pecados, seus ouvintes devem tê-lo feito por si mesmos. Suponhamos que um de nós, um obreiro, acabou de testemunhar pelo Senhor, e sem nenhum tipo de persuasão, ordenança, exigência ou sugestão, os ouvintes tenham sido profundamente iluminados por Deus na consciência em relação aos seus pecados. Eles são compelidos a levantar para admitir que cometeram certos pecados específicos. Em resposta a isso, eu diria simplesmente “Amém” e “Aleluia”. Louvaria e nunca me oporia a esse tipo de confissão aberta diante dos homens. Se João tivesse dito que um homem não poderia ser salvo ou perdoado a menos que confessasse seus pecados, e se João realmente tivesse encorajado, impelido, ordenado e induzido as pessoas a confessarem seus pecados, então suas ações dificilmente iriam igualar-se ao que está registrado em Mateus 3:6. De acordo com esse versículo, os ouvintes confessaram seus pecados por conta própria, eles não foram encorajados por João.

Não presumam que não creio na confissão de pecados. Temos sempre encorajado irmãos e irmãs a fazerem confissões uns aos outros. Porém recusamo-nos a aceitar a confissão como o meio para a pessoa ser salva. Existe somente um meio de salvação determinado nas Escrituras que é a fé. O “antigo” João Batista nunca induziu ninguém a confessar seus pecados. Nem deveria algum “moderno” João Batista constranger qualquer homem a fazer o mesmo. É claro que, se a pessoa ao conscientizar-se dos seus pecados levantar-se para fazer uma confissão, devemos deixá-la fazer assim.

Você deve ter ouvido sobre o grande reavivamento do País de Gales. Tive oportunidade de estudar, em detalhes, registros sobre aquele reavivamento. Muitos fizeram estudos sobre ele. Esse foi o maior de todos os reavivamentos, e começou entre os anos de 1904 e 1905. Um correspondente de um famoso jornal britânico foi realmente ao País de Gales em 1909, a fim de conduzir uma investigação sobre o evento. O País de Gales não era um lugar pequeno. Os pastores de uma das cidades disseram ao repórter que o número de almas salvas havia diminuído para quase nenhuma nos dois anos anteriores. Quando o correspondente perguntou se o reavivamento estava em declínio, eles responderam: “Sim. Não existe mais niguém aqui querendo ser salvo, porque todos já foram salvos”. Sabendo que o reavivamento começou com Evan Roberts, ele então perguntou sobre seu paradeiro. Eles responderam: “Não temos idéia”. Quando perguntou-lhes sobre a hora das reuniões, responderam “não sabemos”. Do mesmo modo, quando inquiriu-os sobre o local de reuniões, repetiram “não sabemos”. Eles não sabiam onde estava o líder do reavivamento nem a hora e o lugar das reuniões. O repórter, então, perguntou o que ele deveria fazer, ao que responderam: “Nós nos reunimos a qualquer hora, até mesmo à meia-noite ou de manhã cedo. Não sabemos onde Evan Roberts está, mas ele pode aparecer a qualquer hora. Há reuniões de reavivamento em quase todos os lares. Você encontra pessoas orando em vários lares e em horários diferentes durante a noite. Mas é difícil achar Evan Roberts. Ninguém sabe onde ele estará”. O repórter comentou que nunca havia testemunhado um reavivamento como esse em toda a sua vida. Ele estava determinado a achar Evan Roberts. Seus esforços nas semanas seguintes, porém, não produziram resultado algum.

Um dia, quando alguém contou-lhe que Evan Roberts estava em uma pequena capela, ele imediatamente foi ao lugar. Ele comentou que a reunião que presenciou foi a mais caótica. Uma mãe estava amamentando seu bebê; alguns estavam correndo para dentro e fora da reunião como se fossem vendedores de alguma coisa; uma mãe estava consolando uma criança que chorava, enquanto outra, usando uma cadeira como berço, balançava o filho para dormir. O lugar estava uma bagunça. E ainda parecia haver um inexplicável e único elemento no ambiente. “Onde está Evan Roberts?” perguntou o repórter. “O quarto homem da terceira fileira”, alguém respondeu. “A senhorita Penn -Lewis também está aqui. Lá está ela naquela fileira”. Estavam todos em silêncio nos seus assentos. De vez em quando alguém se levantava para pedir um hino ou outro se levantava para ler alguns versículos das Escrituras. Quando uma ou duas horas se passaram sem uma única palavra das pessoas, ninguém pediu licença para sair. Em certos momentos alguns se levantaram para confessar seus pecados sem serem admoestados para fazer assim.

Amigos, tal obra é a obra de Deus. É diferente dos sermões de púlpito onde se contam histórias de pessoas em seu leito de morte com a intenção de convencer o público de que eles têm de confessar os pecados ou não serão salvos totalmente. Não estou proibindo a confissão. Existem momentos em que uma pessoa deve confessar seus pecados. Em certas ocasiões alguém deve até declarar a uma multidão que tipo de pessoa ele foi e como Deus trabalhou nele. Porém, nada disso deve ser o resultado do estímulo do pregador no púlpito. Algumas vezes há mais do que estímulo; é como se alguns estivessem ordenando. O que está em Mateus 3:6 é realmente uma confissão pública, mas é o resultado espontâneo da obra do Espírito Santo e não o resultado de uma ordem de João. Não estou me opondo à confissão aberta; estou meramente opondo-me a esse tipo de confissão obrigatória; e muito menos estou me opondo à obra do Espírito Santo. Gostaria que existisse mais de tal obra! Se uma pessoa é conduzida pelo Espírito a confessar seus pecados, todos temos de dizer: “Ó Deus, agradecemos-Te e louvamos-Te, porque tens trabalhado no nosso meio”. Mas temos de nos opor a qualquer ensinamento que diga que a confissão precisa ser feita de certa maneira e até certo nível antes de certos resultados serem conseguidos. Não podemos trocar confissão por salvação. Não temos de tomar confissão de pecados como nossa maneira de salvação.

Temos de notar que na sentença:“E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados”, o principal predicado segundo a língua original não é “confessando”, mas “eram por ele batizados”. Então, as pessoas estavam sendo batizadas por João no rio Jordão e enquanto estavam sendo batizadas, também confessavam seus pecados. Podemos dizer que “ele falou, andando”, que significa que alguém estava falando e andando ao mesmo tempo. Enquanto ambos, “falar” e “andar”, são verbos, “falou” é o principal predicado e ”andando” o verbo subordinado. Portanto, alguém falava, mas fazia isso enquanto andava. Do mesmo modo, em Mateus 3 as pessoas foram batizadas no rio Jordão enquanto confessavam, significando que ao serem batizadas elas estavam simultaneamente confessando os pecados. Esse é o sentido original em grego. Então, vemos que não existe um método para a confissão, mas uma ação que ocorreu. Enquanto as pessoas estavam sendo batizadas, estavam admitindo que estavam erradas nisso e naquilo. O quadro aqui é do Espírito Santo trabalhando no meio delas, mais do que uma obra reguladora. Elas estavam sendo batizadas e confessando, como o exemplo de alguém falando e andando ao mesmo tempo. De nenhum modo nesse versículo a confissão é tratada como uma maneira de salvação.

ATOS 19:18 E 19

Existem somente três trechos no Novo Testamento que registram esse assunto de confissão de pecados. Chegamos agora ao terceiro trecho, que é Atos 19:18 e 19, que diz: “Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinqüenta mil denários”. Embora aqui exista somente a palavra “confessando” sem a menção de “pecados” é a eles que se refere. Em 1 João 1:9, diz “confessar nossos pecados”, em Mateus 3:6, diz “confessando os seus pecados” e aqui diz “confessando” e “fazendo conhecidas as suas práticas”. Primeiro, a confissão e a divulgação das suas práticas não foram consideradas como uma maneira de salvação. Segundo, os que confessaram e narraram as práticas não eram pecadores, mas cristãos, pessoas que eram de Cristo. Isso pode ser comparado a alguns irmãos e irmãs levantarem-se nas reuniões para dar um testemunho confessando o que fizeram no passado. Isso pode também ser comparado a alguns que testemunham no seu batismo as coisas que fizeram no passado. Nós também não somos salvos por meio desse tipo de confissão. Alguns creram e tornaram-se do Senhor. Eles agora confessam o seu passado. Admitem que foram malignos. Não têm mais receio de contar aos santos que foram transferidos do barro lamacento para uma rocha sólida. Quando os efésios queimaram os seus livros de magia, eles estavam fazendo uma demonstração pública de que, embora tivessem praticado essas coisas, agora pertenciam ao Senhor. Terceiro, “E muitos dos que creram vieram”. Nem todos vieram. Nem todas as pessoas salvas precisam confessar nas reuniões. Quando isso ocorre é porque o Espírito Santo se move fortemente para impelir as pessoas a se levantarem para expor suas práticas a fim de glorificar a Deus mostrando a extensão da salvação de Deus nelas. Amigo, você pode descobrir por intermédio dessas três porções da Palavra que o caminho da salvação é mediante a fé e não pela confissão pública.

Essas são as três porções do Novo Testamento onde a confissão de pecados é tratada especificamente. Existe outro lugar, em Tiago 5:16, onde confessar os pecados uns aos outros é mencionada. Tiago nos fala que quando um irmão ou irmã está doente, os presbíteros da igreja devem ser chamados para orar sobre a pessoa doente e ungi-la. E se alguns pecados estão envolvidos, deve haver confissão mútua e perdão. Essa é uma questão diferente do assunto deste livro. Vimos todas as passagens no Novo Testamento a respeito da confissão de pecados. Você vê agora qual é a maneira de alguém ser salvo? É mediante a fé e não pela confissão de pecados.

SOBRE A PRÁTICA DA CONFISSÃO

Deixem-me falar um pouco a respeito da prática da confissão de pecados. Todos nós sabemos a quem ofendemos e defraudamos antes de ser salvos. Depois que fomos salvos, sentimos tristeza no coração e desejamos confessar àquelas pessoas. Isso é algo que devemos fazer. Deus ordena, até mesmo nos compele a fazê-lo. Isso é ensinado nas Escrituras. Tendo visto a justiça de Deus e a glória em Sua presença, agora percebemos que é injusto dever algo aos outros. Que faremos, então? Nós nos recusamos a ser pessoas injustas. Até falamos a nós mesmos: “Eu sou salvo. Vou ser um homem justo. Vou lidar totalmente com todas as áreas nas quais fui injusto ou errado com os outros para que então possam perdoar-me”. Bem, não há problema com seus pecados perdoados diante de Deus, mas você tem de confessar aos homens as suas ofensas. Tal confissão e restituição absolutamente não são o caminho para a salvação. Você não precisa fazer confissão e indenização para que seja salvo. Como uma pessoa salva e alguém que é justo, você está meramente pedindo perdão às pessoas que enganou.

O ladrão na cruz deve ter roubado e pecado contra muitos. Porém não teve oportunidade de confessar e restituir a ninguém, porque mal podia mover-se na cruz. Ele não podia devolver nenhum item que roubara dos outros. Porém, sem nenhuma confissão ou restituição, ele ainda pôde ser salvo. O Senhor Jesus disse para ele: “Hoje estarás Comigo no Paraíso” (Lc 23:43). Podemos considerar esse ladrão como a primeira pessoa a ser salva no Novo Testamento. Ele foi o primeiro a ser salvo depois da morte do Senhor. Portanto, o problema não é de confissão. O ladrão na cruz, embora privado da oportunidade de fazer restituições, foi, contudo, salvo. Se ele vivesse, deveria fazer restituições por causa da justiça. A questão da sua salvação foi resolvida na cruz num instante. Confissão é algo que segue a salvação. Ele já foi salvo na cruz; sua salvação não foi absolutamente devida a nenhum tipo de confissão ou restituição. Se ele confessasse seus pecados mais tarde, isso não o teria salvo ainda mais. Aqui é mostrado claramente que a salvação é pela fé, enquanto a confissão é uma expressão espontânea do viver cristão. Já que agora conhecemos nosso Deus justo, desejamos clarificar o problema dos nossos pecados diante do homem. Nossa salvação é totalmente uma questão entre nós e o Senhor Jesus; ela é resolvida somente por meio Dele.

Há três fatos aqui sobre os quais devemos ter clareza. Primeiro, confessar nossos pecados diante de Deus, julgando-nos, arrependendo-nos e conscientizando-nos de que somos pecadores. Tudo isso é feito diante de Deus. Isso nos leva a ter fé e receber o Senhor Jesus como nosso Salvador. Segundo, depois que fomos salvos, tornamo-nos conscientes de nossas ofensas contra outros e desejamos clarificá-las. Desejamos fazer restituições e confessar àqueles que defraudamos, e então poderemos viver uma vida justa na terra. Terceiro, depois que fomos salvos, quando o Espírito Santo trabalha em nós, queremos contar aos outros que tipo de pecadores éramos e quantos pecados cometemos. Podemos fazer isso durante nosso batismo e podemos fazê-lo depois do batismo.

Não sei se isso está claro ou não para você. Nunca valorize demais a confissão de pecados. Temos de colocá-la no lugar estabelecido pela Bíblia. Já que a Bíblia nunca a considera como um caminho para a salvação, também não devemos considerar. Graças a Deus foi o Senhor Jesus que me salvou. Não me salvei . Graças a Deus foi a cruz de Cristo que me salvou. Não sou salvo por minha própria cruz; a cruz de Cristo fez a obra de salvação.

O CAMINHO DA SALVAÇÃO NÃO É A ORAÇÃO

Chegamos agora ao quinto "não é". Existem muitas pessoas que irão adicionar outra condição para a salvação. Não é guardar a lei ou o bom comportamento, nem é arrependimento ou confissão. Elas dizem que uma pessoa tem de orar para ser salva. Elas baseiam sua afirmação em Romanos 10:“Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”

(v. 13). Como resultado, alguns acreditam que têm de implorar diante de Deus antes que possam ser salvos. Em várias ocasiões encontrei algumas pessoas que queriam ser salvas. Elas disseram: “Diariamente eu peço ao Senhor para salvar-me e ainda não sei quando fará isso. Tenho orado por três meses sem nenhuma sensação interior. Não sei se Deus achará conveniente salvar-me”. Também encontrei outras que disseram “Estou esperando que o Espírito Santo venha e me leve a ajoelhar-me para pedir a Jesus que me salve. Eu ainda não sou salvo. Devo esperar que o Espírito me inspire a orar antes que possa ser salvo”. Por esta razão, precisamos ver se um homem precisa orar antes que possa ser salvo.

Primeiro, tal pessoa busca ser salva por meio de oração e súplica por ser totalmente ignorante quanto ao amor e à graça de Deus. Ela pensa que Deus odeia o homem e, portanto, tem de orar para Deus mudar de idéia antes que possa salvá-la. Ela se entrega à oração sem saber o quanto tem de orar para que Deus a ouça. Você se lembra como Elias desafiou os profetas de Baal no monte Carmelo? Ele os desafiou a pedir ao seu deus para mandar fogo. Os profetas “clamavam em altas vozes e se retalhavam com facas e com lancetas, segundo o seu costume, até derramarem sangue” (1 Rs 18: 26-29). Eles supunham que Baal iria ouvi-los somente se infligissem mais dores a seu corpo. Hoje há os que também pensam que se trouxerem angústia sobre si mesmos e clamarem suficientemente a Deus, Ele terá compaixão deles. Esse tipo de pessoa nunca viu o evangelho. Porque nunca viram Deus na luz do evangelho, acreditam que sua súplica perante Deus irá voltar Seu coração a eles. Na verdade não há necessidade de Deus voltar Seu coração. Seu coração já está voltado a eles há muito tempo. Nós é que necessitamos uma mudança de coração, porque rejeitamos e opusemo-nos a Ele, e não acreditamos Nele.

Em 2 Coríntios 5:19 diz-se: “A saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”. Deus não ofendeu o homem; foi o homem que ofendeu a Deus. Nunca houve necessidade de Deus ser reconciliado com o homem. Todos os que desejam entender o evangelho devem saber que Deus é amor e que Ele ama o mundo. Ele não tem problema conosco e nenhum de nós tem de suplicar diante Dele.

Além disso, o homem pensa que tem de orar e suplicar para que seja salvo, simplesmente porque não percebe que o Senhor Jesus veio; Ele morreu e ressuscitou; todos os problemas de pecado estão resolvidos e todos os obstáculos à salvação estão removidos. Não somente o Senhor Jesus veio, mas o Espírito Santo também veio. Ele veio para manifestar no homem o que Deus e o Senhor Jesus realizaram. Muitos pecadores oram pela própria salvação como se estivessem pedindo ao Senhor Jesus para morrer por eles novamente. Eles não percebem que Ele completou a obra de redenção. Como Ele terminou Sua obra, não há razão para suplicar diante Dele. Hoje é o tempo de ações de graça e louvores; não é tempo de fazer súplicas e petições. Suponha que seus pais tenham trazido algo que você pediu. Você pode talvez, com sinceridade, curvar-se para agradecer a eles. Certamente não iria ajoelhar-se e suplicar, dizendo:“Por favor dê-me isto porque eu preciso”. É simplesmente incoerente e sem sentido que continue a suplicar depois que seus pais já deram algo a você. Hoje Deus não está falando sobre a gravidade dos nossos pecados. Se estivesse, então haveria razão para suplicarmos. Ao contrário, Deus está agora dizendo que Ele deu Seu Filho a você gratuitamente. Seria bem estranho se alguém lhe desse algo e você ainda lhe suplicasse em vez de agradecer! Se conhecesse o coração de Deus e se tivesse clareza sobre a obra do Senhor Jesus, nunca tentaria ser salvo pela oração. Não há lugar para a oração nessa questão. É melhor ajoelhar-se para agradecer a Deus.

Certa vez, depois que compartilhei o evangelho com um homem, perguntei se ele cria. Ele disse que sim. Quando eu disse: “Vamos ajoelhar-nos”, ele perguntou se iríamos orar. Disse-lhe que não. Ele perguntou: “Qual o propósito, então?” Respondi: “Simplesmente para informar o Senhor Jesus”. Não há necessidade de pedir ao Senhor Jesus para morrer novamente ou pedir a Deus para amar, ser gracioso ou perdoar-nos. O Senhor já levou nossos pecados na cruz. Agora, nossa única necessidade é notificá-Lo, dizendo: “Eu cri no Filho de Deus e recebi a cruz de Cristo. Ó Deus, eu Te agradeço”. Não é fácil? Sim, receber a salvação é algo fácil. Claro que para Deus não foi fácil completar a salvação; Deus levou quatro mil anos para completá-la. Depois que o homem caiu, Deus levou quatro mil anos para fazer com que o homem percebesse seus pecados. Ele então fez com que Seu Filho nascesse de uma mulher e fosse pendurado na cruz para ser julgado pelo pecado. No final, Ele mandou também o Espírito Santo. Foi somente depois que Deus trabalhou muito e fez bastante esforço que recebemos a salvação de maneira tão fácil. Ele pagou o maior preço para realizar tudo. Agora se você creu e recebeu, tudo o que precisa fazer é dizer: “Obrigado”. Esse é o caminho da salvação. Não há lugar para oração aqui.

Por que então Romanos 10 enfatizou o assunto da oração? Em Romanos 10:5-7 lê-se: “Ora, Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela. Mas a justiça decorrente da fé assim diz: Não perguntes em teu coração: Quem subirá ao céu?, isto é, para trazer do alto a Cristo ou: Quem descerá ao abismo?, isto é, para levantar Cristo dentre os mortos”. Dois tipos de justiça são mencionados aqui. Uma é a justiça decorrente da lei e a outra é a justiça decorrente da fé. A justiça decorrente da lei resulta das obras de uma pessoa diante de Deus, e a justiça decorrente da fé é cumprida em nós pelo nosso crer no Senhor Jesus Cristo. A primeira tem relação conosco e a última tem relação com Cristo.

É absolutamente impossível para um homem obter a justiça decorrente da lei porque ela requer que ele não tenha pecado nos pensamentos, intenções, palavras e comportamento a cada ano, hora, minuto e segundo de sua vida desde a hora em que nasceu. Se ele quebra algum item da lei, ele transgride todos. Para nós, isso é simplesmente uma proposta sem esperança. Desde que não possamos agora ter a justiça decorrente da lei, precisamos ter a justiça decorrente da fé. Essa justiça, como mencionamos, é a justiça pela qual Cristo foi julgado. Desde que Cristo sofreu a punição, temos a justiça mediante a fé. Essa justiça não tem relação conosco. As Escrituras dizem: “Não perguntes em teu coração: Quem subirá ao céu?, isto é, trazer do alto a Cristo; ou: Quem descerá ao abismo?, isto é, para levantar Cristo dentre os mortos”. Não há necessidade de fazermos isso. Não há necessidade de ascender aos céus. Isso significa que não há necessidade de pedir que Cristo venha à terra e morra por nós. Não há também necessidade de descer ao abismo. Isso implica que a ressurreição de Cristo é a base da nossa justificação. Deus já fez com que o Senhor Jesus morresse e ressuscitasse, e Sua ressurreição tornou-se a base de nossa justificação. Tudo o que nos resta fazer é crer.

O versículo 8 diz: “Porém que se diz?” “Se”, aqui, refere-se à palavra de Moisés. Paulo citou Moisés para mostrar que até Moisés pregava a justificação pela fé. Isso é surpreendente, visto que Moisés foi o promotor da lei e das suas exigências. Mas Paulo apresentou Moisés, dizendo que Moisés também falou a respeito da justificação pela fé quando disse: “A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração”. Essa é a palavra da fé que proclamamos. Paulo defendia que as palavras de Moisés referem-se à justificação pela fé. Para entender essa referência, necessitamos voltar para Deuteronômio 29 e 30, no Antigo Testamento. Lá, Moisés passou toda a lei e os mandamentos aos israelitas, falando a eles que se falhassem em obedecer àqueles mandamentos e em guardar a lei, Deus iria puni-los, dispersando-os entre as nações; e se o coração deles se aproximasse de Deus na dispersão, a palavra estaria perto deles, até mesmo na boca e no coração deles. Moisés estava dizendo que o julgamento de Deus estaria presente sempre que o homem quebrasse a lei e a transgredisse. Que o homem deve fazer, então? Ele precisa receber uma justiça separada da lei, a que está na sua boca e no seu coração. Tal graça separada da lei é um presente para nós. Quando Deuteronômio foi citado em Romanos 10, uma palavra de explicação foi adicionada: “A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração” que é, “a palavra da fé que pregamos”. Não há nenhum pensamento de obra aqui. A justiça proveniente da lei foi completamente transgredida. Quando o povo foi disperso entre as nações da terra, como predito em Deuteronômio 30, eles não poderiam mais reivindicar ter realizado obras. A questão de obras havia terminado. A única palavra que eles tinham então era a palavra que estava na boca e no coração deles. Outrora, era uma questão de obras e o resultado foi a dispersão. Agora, não mais há obras. Portanto, é fé.

Paulo continuou a definir o significado de “com a tua boca” e “em teu coração” no versículo 9 dizendo: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. Caro amigo, onde está sua boca? Cada um de nós leva a boca para onde vai. Ninguém a deixa em casa. Onde está nosso corpo também está nossa boca. No momento em que cremos no Senhor Jesus, espontaneamente O confessamos com nossa boca. As primeiras palavras da boca de Paulo, quando o Senhor confrontou-o na estrada, foram: “Quem és tu, Senhor?” Ele não havia crido no Senhor antes. Mas naquela conjuntura, ele creu. Nossa confissão de Jesus como Senhor é feita muito mais espontaneamente a partir do nosso coração do que diante das pessoas. Surpreende-me pensar que um povo inculto que nunca fora exposto ao evangelho antes, ao ouvir as boas novas, possa dizer, “Ó Senhor”. Isso não pode ser uma obra. Trata-se de uma manifestação espontânea. Crer no coração não é uma questão de obra. Não há necessidade de dar alguns passos ou gastar dinheiro. É necessário dizer “Ó Senhor” exatamente onde se está, e ser salvo. Pode-se dizer isso audível ou inaudivelmente. Contanto que se creia que Deus O trouxe dos céus e O levantou do Hades, tudo irá ocorrer normalmente. Isso provará que se está justificado e salvo. Nossa confissão nunca pode levar o elemento do mérito. Confissão não é um caminho para salvação; é meramente uma expressão da salvação. É algo muito espontâneo. Se dissermos “Senhor” com nossa boca e crermos Nele no nosso coração, seremos salvos. Não há nenhum problema.

O versículo 10 segue e explica o versículo 9. Por que alguém é salvo quando confessa com a boca Jesus como Senhor e crê no coração que Deus O ressuscitou de entre os mortos? “Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação”. Eu sempre ficava perplexo sobre como esse assunto poderia ser colocado no coração das pessoas. Encontrei duas pessoas hoje que consideram esta palavra de salvação muito longe delas. Para elas, essa palavra está mais longe do que as províncias de Yunnam e do Tibet; está mais longe que um país estranho. É simplesmente uma palavra dos céus. Parece que a palavra de salvação está tão longe que a frustra. Contudo, Deus diz que o caminho para a salvação não está no céu nem nas profundezas da terra. Está muito perto, na nossa boca e até no nosso coração. Se tivéssemos subido aos céus ou descido abaixo da terra, quereríamos saber como alguém poderia ser salvo. Hoje, a palavra está na sua boca e no seu coração. Contanto que uma pessoa abra a boca e creia no coração, ela será salva. Deus fez essa salvação tão completamente disponível e conveniente que se uma pessoa crê no coração e confessa com a boca, é salva. Justificação aqui é mais uma questão diante de Deus que diante dos homens. Quando os homens vêem você confessando, eles perceberão que você é salvo. Quando Deus vê você crendo, Ele o justifica. O versículo 11 diz: “Todo aquele que nele crê não será confundido”. Somente a fé é suficiente.

Embora a Palavra de Deus seja abundantemente clara, ainda há os que gostam de argumentar contra ela. Eles insistem em que a confissão é a maneira de alguém ser salvo. Gostaria de perguntar a eles: “Se é assim, que você fará com Romanos 10:8? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração”? Aqui diz a palavra da fé, não a palavra de confissão. As Escrituras dizem “crer”, elas não dizem “confessar”. O versículo 6 diz: “Mas a justiça decorrente da fé assim diz”. O versículo 6 menciona a justiça decorrente da fé e o versículo 8 a palavra da fé. Há uma confissão no versículo 9 e outra no 10. Ambas são com a boca. Porém, o versículo 11 não diz: “Todo aquele que O confessar não será confundido”. Ao contrário, diz: “Todo aquele que nele crê não será confundido”. Temos de reconhecer a ênfase aqui. Os versículos 6, 8 e 11 mencionam “crer” e os versículos 9 e 10 mencionam “confessar”. O versículo 9, primeiro diz “confessar” e, então, “crer”; enquanto no versículo 10 está primeiro crer e, então, confessar. Nessa passagem “crer” é usado cinco vezes e “confessar” duas. No final, a ordem “confessar” e “crer” é invertida. Tudo isso significa que a salvação deve ser decorrente da fé e não da confissão. Confissão resulta da fé. O que crê no coração, fala espontaneamente com a boca. Uma pessoa diz espontaneamente “papai” quando vê seu pai. Onde há fé, a confissão vem imediatamente a seguir.

O final do versículo 12 mostra-nos que confissão aqui é a confissão de Jesus como Senhor. Essa confissão vem da fé. Como podemos provar isso? Podemos não ver isso do versículo 1 até o 11. Mas o versículo 12 diz: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam”. O versículo 13 diz: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Invocar o nome do Senhor é equivalente a confessar o Senhor Jesus nos versículos anteriores. Invocar o nome do Senhor é confessar Jesus como Senhor, chamá-Lo de Senhor e dirigir-se a Ele como Senhor. Analisando cuidadosamente o contexto dessa passagem, perceberemos que invocar é simplesmente confessar.

O versículo 14 diz: “Como, porém, invocarão aquele em que não creram?” Essa é uma palavra maravilhosa. Isso mostra que invocar vem de crer. Naturalmente ninguém pode invocar sem crer. Podemos ver que confessar com a boca resulta da fé no coração. Porque um homem crê no coração, ele invoca com a boca. Ele invoca porque crê. Tudo resulta da fé; fé é o caminho da salvação. Embora seja mencionada a confissão com a boca, essa confissão é baseada na fé no coração. Invocar é espontâneo para os que crêem.

Creio que os leitores sejam salvos e que receberam o Senhor Jesus. Posso perguntar como você O recebeu? Nós O recebemos pela fé. Você também orou? A salvação é decorrente da fé. Oração é a expressão dessa fé. Todos no mundo são salvos pela fé. Porém, essa fé é expressa em oração. A fé é interior e oração é exterior. Quando você crê no coração que Jesus é o Salvador, espontaneamente irá orar com a boca que Jesus é o Senhor. Qualquer um que crer no seu coração irá confessar com sua boca. Mas precisamos sempre lembrar que confissão não é o caminho para a salvação. Embora a palavra diga “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”, entretanto, invocar não é a maneira da salvação. A razão é que invocar vem da fé; é uma ação espontânea, algo dito espontaneamente diante de Deus.

Voltemos ao versículo 12: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos”. Eu amo a frase “não há distinção”. Romanos 3:22 e 23 diz: “Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem; porque não há distinção, pois todos pecaram”. Aqui diz: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos”. Cada um tem de invocar o Senhor, confessar com a boca e crer no coração antes de ser salvo.

Que o Senhor seja misericordioso para conosco e nos mostre que o único caminho para a salvação, de acordo com a Bíblia é a fé e nada mais. A salvação não é pela fé mais o cumprimento das leis e boas obras, arrependimento, confissão ou oração. Essa é a verdade bíblica. Temos de nos posicionar sobre a Bíblia. A Bíblia revela-nos claramente que o caminho para a salvação é somente pela fé.