Capítulo Quinze

A Salvação é Eterna —ARGUMENTOS POSITIVOS (1)

Ao longo deste livro, vimos que há diferença entre o pecado e os pecados no homem. Vimos como Deus nos ama e nos dá Sua graça, como Sua graça se manifesta em Sua justiça, como o Senhor Jesus cumpriu toda a obra por nós e o que Sua morte e ressurreição fizeram. Além disso, vimos como o homem pode receber a salvação de Deus. O homem não recebe a salvação de Deus por intermédio da lei, boas obras, confissão, oração e muitas outras coisas. No capítulo anterior, vimos como crer e o que é a fé. Neste capítulo, continuaremos com o nosso estudo.

A Bíblia nos mostra que a duração da salvação de Deus é eterna; não é temporal. Em outras palavras, a salvação de Deus é dada ao homem para a eternidade, em vez de temporariamente. Não há possibilidade de um cristão perecer, uma vez que é salvo. Eu não estou dizendo que não há castigo para um cristão uma vez que é salvo; nem estou dizendo que não haverá julgamento e perda de recompensa se um cristão não for fiel na obra do Senhor após sua salvação. Um cristão pode ser disciplinado nesta era e também pode ser punido no milênio. Eu não estou dizendo aqui que um pecador será disciplinado. Estou dizendo que um cristão, cuja obra não for aprovada pelo Senhor, perderá sua recompensa à época do trono do julgamento de Cristo. Se um cristão, hoje, tem pecados dos quais não tem se arrependido nesta era, ele receberá a devida punição no reino vindouro. Todas essas verdades estão na Bíblia.

Por outro lado, a Bíblia nos mostra que, após um cristão ser salvo, não há possibilidade de ele perder a salvação. Em outras palavras, uma vez que fomos salvos diante de Deus, somos eternamente salvos. O homem, embora salvo, sempre pensa, e nunca sabe, se perderá ou não a salvação. Deus diz que passamos da morte para a vida (Jo 5:24). Mas nós pensamos se podemos ou não passar da vida para a morte. Deus diz que não pereceremos, mas teremos vida eterna (3:16). No entanto, imaginamos que não teremos vida eterna, mas pereceremos; não sabemos se nossa salvação diante de Deus pode ser abalada. Contudo, após lermos a Palavra de Deus cuidadosamente, verificamos que uma vez que a pessoa é salva, ela está eternamente salva. Queremos considerar essa questão de dois lados. Primeiro, considerá-la do lado positivo, e depois, do lado negativo.

Neste capítulo, queremos ver, pela Bíblia, como a salvação de Deus é eterna. Se fosse possível perder a salvação de Deus, que aconteceria ao homem? Mais tarde, consideraremos essa questão vista pelo lado negativo. Consideraremos versículo por versículo cada passagem das Escrituras que, aparentemente, diz que a salvação não é eterna e está sujeita a perder-se. Veremos se é possível ou não perder-se a salvação dada a nós por Deus. Neste livro consideraremos o que está mencionado no lado positivo. Devemos ver claramente se a Bíblia diz ou não que podemos perder a salvação que recebemos.

A GRAÇA E O AMOR DE DEUS

Já mencionamos em capítulos anteriores o que é a graça. Todos os leitores do Novo Testamento sabem que somos salvos pela graça. Ninguém cometeria o erro de dizer que a salvação é pela lei e não pela graça. Se um homem disser que uma pessoa é salva pela lei e não pela graça, ele nunca leu o Novo Testamento. No Novo Testamento essa revelação é muito elevada. Não precisamos nos aprofundar tanto em alguns assuntos, mas não podemos permitir que esse assunto seja tratado de maneira superficial. Se é graça, então, nunca podemos ser um devedor diante de Deus. Se demonstro graça aos outros, não posso esperar qualquer pagamento. Se tive algum pensamento de receber algo em troca e se por algum tempo esperei ser recompensado, isso seria um empréstimo e não graça. Se lhe dou algo com a esperança de que um dia você me retribua, isso não é graça. Se hoje Deus nos dá graça com a esperança de que Lhe devolvamos boas obras mais tarde, isso também não é graça. Não há absolutamente retribuição alguma com respeito à graça.

Que diz a Bíblia sobre o modo de receber vida eterna? O dom de Deus é a vida eterna em Cristo (Rm 6:23). Portanto, não é possível perder a vida eterna que recebemos. Que é um dom? Um dom é um presente de Deus. É algo que Deus nos dá. Se alguém lhe dá alguma coisa, pode pedi-la de volta? Não somos crianças de jardim da infância, dando doces para alguém um dia e pedindo-os de volta no dia seguinte. Um dom é algo dado gratuitamente. Se fosse possível perder a nossa salvação, Romanos 6:23 teria de dizer: “O empréstimo de Deus é a vida eterna em Cristo”. Um empréstimo pode ser cobrado, mas algo que é dado não pode ser reclamado. Uma vez que seja dado, está dado para sempre. Se a vida eterna nos foi dada em Cristo, então ela nunca poderá ser reclamada. A palavra dom na língua original indica claramente que é algo dado gratuitamente; não pode ser cobrado. Se não pode ser reclamado, então não há possibilidade de perdermos o dom.

A Bíblia nos mostra claramente que o dom de Deus é dado sem que Ele se arrependa disso. A vida eterna é um item importante do dom de Deus. A salvação é também um item importante do dom de Deus. Há muitos outros itens além desses. O dom de Deus é dado sem que Ele se arrependa. Se Deus não se arrepende de tê-lo dado, como pode reclamá-lo? Para reclamá-lo, primeiro deve haver arrependimento. Sem qualquer arrependimento, não pode haver qualquer reclamação. Ao mesmo tempo, se há alguma reclamação, já não é mais uma dádiva. Com a dádiva, não há tal coisa como pagamento. Posso dizer que estou dando algo a alguém e, então, pedi-lo de volta amanhã? Eu não posso fazer isso. Se foi dado, então não pode ser reclamado.

Deus não é como nós, oscilando e mudando freqüentemente. Ele não age de uma maneira hoje e de outra no dia seguinte. Uma vez que Deus nos deu algo, Ele nunca o pedirá de volta. Portanto, no que diz respeito ao caráter de Deus, desde que a salvação nos foi dada como um dom, em vez de um empréstimo, temos de admitir que ela é eterna. Agradecemos e louvamos ao Senhor porque Ele nunca pede emprestado nem empresta. Ele nunca espera pagamento; Ele apenas dá. Deus é grandioso. Ele não somente nunca empresta ou pede emprestado, como também nunca vende. Deus salvou-nos pela graça. Deus é tão grande que Ele não consegue vender, pedir emprestado ou emprestar qualquer coisa. Ele é tão grande que somente consegue dar sem exigir retorno. Assim, vemos que o dom de Deus é a vida eterna.

Por que Deus tem de nos dar vida eterna? Por que Ele tem de nos dar o dom em Seu Filho? Muitos provavelmente já leram João 3:16 que diz: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Por que Deus deu Seu Filho ao mundo? Porque Ele nos ama. Por que Deus nos deu vida eterna? Também porque Ele nos ama. Se enquanto pecadores Deus nos amou a tal ponto de nos dar a vida do Seu Filho, seria possível Deus rejeitar alguém que após se tornar cristão se tornasse fraco e pequeno? Se o Filho de Deus pôde morrer por nós enquanto ainda éramos pecadores, pode Ele recusar-se a amar-nos hoje, após termos crido Nele, meramente porque somos um pouco fracos? Se o amor de Deus não pode mudar, então, também não há possibilidade de Sua graça mudar. Anteriormente, Ele esteve tão disposto a dar Seu Filho unigênito para morrer pelos meus pecados e teve tal grande amor por mim. Será que desde o tempo em que Ele mostrou tal amor por mim, Ele mudou completamente? Será que agora que me tornei cristão Ele tenha decidido mandar-me para o inferno e não amar-me mais? Se anteriormente Ele me amou tanto que morreu na cruz por mim, como poderia Ele ter tal mudança hoje? Como poderíamos nós ser “não-salvos” de novo? Isso é impossível!

Isso é impossível não somente de acordo com a razão humana, mas a Palavra de Deus também diz o mesmo. João 13:1 diz: “Jesus (...) tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Assim, não há mudança no amor com o qual Deus ama os homens. Visto que Seu coração estava cheio de amor por nós quando Ele foi à cruz, do mesmo modo, Deus ainda está nos amando hoje. Seu amor não mudou. Sua graça também não mudou. Se o homem pensa que há possibilidade de perder a salvação e a vida eterna, então temos de concluir que há possibilidade de o amor de Deus mudar. Mas isso é impossível! Se a fonte não pode mudar, então o fluir jamais mudará. Se a vida não muda, então o fruto produzido por essa vida não pode mudar. Devemos conhecer o coração do Senhor. Devemos entender que Deus não pode pedir Seu Filho de volta. Romanos 8:32 mostra que uma vez que Deus quis dar-nos Seu Filho, Ele não pode tomá-Lo de volta.

Qual você pensa ser maior: O Filho de Deus ou a nossa salvação? O Filho de Deus é mais precioso? ou a vida que recebemos é mais preciosa? Porque somos carnais, pensamos que o Salvador não é tão importante e que a vida é mais importante que o Salvador. Enquanto temos vida, tudo está certo. Não estamos tão preocupados com o Salvador; mas aos olhos de Deus, o Salvador é mais precioso. Ele é mais precioso que a nossa vida. O Filho de Deus é mais precioso que a vida que recebemos. Assim, Romanos 8:32 nos diz que se Deus não poupou a Seu próprio Filho, antes, por todos nós O entregou, porventura não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas? Se Deus quis dar Seu Filho por nossos pecados e se Ele quis dar-nos esse Filho gratuitamente, pensaria Ele em nos tomar a vida eterna após algumas considerações? Suponha que um irmão me deva dez mil dólares e não possa pagar essa quantia. Se sou um homem rico, eu posso dizer-lhe: “Você não tem condições de me pagar seu débito, mas sou benévolo. Aqui estão dez mil dólares. Tome-os e me pague seu débito”. Depois disso, temos de tomar um bonde para o cais. A passagem custa oito centavos por pessoa, mas ele tem apenas sete centavos. Ele pode dizer-me: “Você pode dar-me uma moeda, pois está-me faltando um centavo?” Eu não só tenho muitas moedas, como também notas de dinheiro e outras economias. Contudo, eu lhe peço que me devolva o dinheiro. Digo-lhe que deve pagar-me a moeda primeiro. Você não acharia estranho eu fazer isso? Ontem dei a ele dez mil dólares. Hoje não quero emprestar-lhe nem uma moeda. Que é isso? Provavelmente você diria que tenho febre alta e estou doente. Por que eu não me importaria com dez mil dólares, contudo ficaria preocupado com uma moeda? Se por Seu grande amor Deus nos deu Seu Filho unigênito, discutiria Ele conosco sobre a salvação que recebemos? Devemos lembrar-nos de que a diferença entre uma moeda e dez mil dólares é insignificante diante da diferença entre a vida e o Salvador, entre a vida e o Senhor da vida, entre a salvação que recebemos e o Filho unigênito de Deus. Uma vez que Deus nos deu Seu Filho unigênito, como pode Ele pedir a salvação de volta? Ter tal pensamento não é apenas ignorância e falta de entendimento da graça e do amor de Deus, mas total insanidade mental. Somente os que têm mente obscurecida e insana diriam tal coisa.

Graças a Deus, Ele nos deu Seu Filho e não O pedirá de volta. Além de Seu Filho, Ele nos deu muitas outras coisas, tais como vida eterna e salvação. Deus nos deu Seu Filho e a vida eterna também. Se Ele não pode reclamar Seu Filho de volta, então Ele também não pode reclamar a vida eterna que recebemos. Assim, de acordo com a graça de Deus, é impossível perder a salvação e a vida que recebemos. Essa é a palavra clara de Deus a nós.

DEUS PLANEJOU SALVAR-NOS

Deus salvar-nos é um acidente ou um ato proposital? A salvação de Deus é como as duas moedas que um homem dá a um mendigo ao cruzar com ele na rua? ou Deus está propositadamente procurando um homem a quem Ele possa dar dinheiro? A salvação de Deus é um acidente ou ela está de acordo com um plano determinado? Os que não entendem a salvação podem pensar que a salvação de Deus é acidental. Mas os que compreendem a Bíblia e conhecem Deus percebem que a salvação de Deus não é acidental. Pelo contrário, foi planejada há muito tempo com um plano definido. Romanos 8:29 diz: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho”. O versículo 30, uma palavra explicativa, diz: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”. A salvação sobre a qual estamos falando envolve todas as coisas mencionadas nos versículos 29 e 30. A história da nossa salvação começou com a justificação, no versículo 30. Fomos salvos quando fomos justificados. Sabemos apenas que cremos em Jesus e que fomos salvos e justificados. Pensamos que a justificação é nosso primeiro encontro com Deus. Pensamos que a primeira vez que tocamos Deus em nossa vida foi quando fomos justificados. Mas a Bíblia diz que Deus nos tocou há muito tempo. Ele conheceu-nos há muito tempo. Nossa justificação veio mais tarde. Deus conheceu-nos primeiro.

Alguns têm dito que Romanos 8:29-30 é a única corrente em toda a Bíblia. É uma corrente de elos diversos. Essa é a corrente mais preciosa e completa. O primeiro elo dessa corrente é o conhecimento prévio de Deus no tocante ao homem. O segundo é nossa predestinação para sermos conformados à imagem de Seu Filho. O terceiro elo é o chamamento dos que foram predestinados. A justificação dos que foram chamados é o quarto elo. O quinto é a glorificação dos que foram justificados. É uma série de interligações. Nós pensamos que conhecemos Deus à época em que fomos salvos e justificados. Mas a Bíblia diz que antes de sermos salvos e justificados, Deus já nos conhecia. Aqueles que Deus conheceu há muito tempo, Ele marcou. Ser marcado significa ter em nosso nome uma marca de identificação, indicando que Ele nos reivindica para Si. Para que propósito fomos marcados? Para que venhamos a ser como Seu único Filho, Jesus Cristo. Ele não quer apenas um Filho, Jesus Cristo; Ele veio marcar-nos para que fôssemos idênticos ao Seu Filho. Assim, os que foram marcados foram chamados. Os que foram chamados são os conhecidos por Ele; são também os que foram marcados por Ele. Então, Ele chamou os que conheceu e marcou-os. Após chamá-los, Ele os justificou.

Se a justificação é o primeiro passo no relacionamento de um cristão com Deus, então não há mais motivo para que sejamos justificados novamente no futuro. Se apanho duas moedas hoje e as atiro no fogo amanhã, isso não é uma grande perda para mim. Não ser justificado é, sem dúvida, uma perda para o homem. Porém Deus não sofre perdas. No entanto, temos de saber que a história de nosso relacionamento com Deus não começa na justificação e salvação. Antes, ela começa na presciência de Deus. A presciência de Deus é o princípio de todas as coisas. Ser predestinado é o segundo passo. Então, ser chamado é o terceiro passo. Somente após o terceiro passo é que temos a justificação. Se perdêssemos nossa justificação e nos tornássemos pecadores novamente, deveríamos questionar a onisciência de Deus. Uma vez que Deus nos conheceu de antemão e nos predestinou, como podemos ainda perecer após sermos salvos? Uma pessoa predestinada por Deus nunca pode ser lançada no inferno e queimada como se fosse um pedaço de madeira.

Para nós, tomar uma decisão é uma coisa simples porque mudamos mui facilmente. Num minuto podemos estar no céu e no minuto seguinte, no inferno. É possível que mudemos uma vez por dia nos trezentos e sessenta e cinco dias do ano. Mas como Deus é Deus, Sua presciência e predestinação não podem ser abaladas. O Deus que conhecemos e a quem adoramos não pode mudar coisa alguma que Ele tenha decidido. Por Ele ter a presciência, a predestinação e o chamamento, nossa justificação é eterna. Para nós, é uma coisa pequena perder nossa justificação. No entanto, para Deus é uma grande coisa perder Sua presciência. Para nós, perder nossa justificação não significa muito. No entanto, para Deus seria algo sério cometer um erro em nos conhecer antecipadamente, nos chamar e não nos justificar. Deus não pode anular a justificação sem afetar Sua presciência, predestinação e chamamento. Se retirarmos um elo, os outros três elos não permanecerão. Se perdêssemos nossa salvação, a presciência, a predestinação e o chamamento de Deus seriam todos anulados.

Complementando, há outro item. O Senhor diz: “E aos que justificou, a esses também glorificou” (v. 30). A não ser que Deus introduza na glória os que Ele justificou, Sua obra não está completa. Se não pudermos entrar no novo céu e na nova terra e se não pudermos entrar na glória eterna, a obra de Deus não é completa. O último elo da obra de Deus é a glória. Até estarmos na glória, a obra de Deus não é completa. Essa é a Palavra de Deus. Que você está fazendo com ela? Não podemos colocá-la de lado. Deus diz que os que Ele justificou entrarão na glória incondicionalmente. Ele não diz que os que foram justificados entrarão na glória se praticarem boas obras. Ele não diz que aqueles cujas obras são aprovadas podem entrar na glória. Nem diz que os que Ele justificou devem ser considerados salvos pelo homem antes que possam entrar na glória. Não há tais condições. Todas as coisas que são mencionadas aqui estão relacionadas com Deus. Foi Deus quem nos conheceu de antemão. Foi Deus quem nos predestinou. Foi Deus quem nos destinou para sermos como Seu Filho e conformados à imagem do Filho. Foi Deus quem nos chamou e nos justificou. É Deus também quem nos introduzirá, os justificados, na glória. Novamente, é Deus quem nos introduzirá no novo céu e na nova terra para herdarmos a glória eterna.

Qual dos elos é o maior na Bíblia? Alguns dizem que a glória é o maior. Outros dizem que é a presciência. Na verdade, não há diferença entre eles; todos são iguais. Não podemos dizer que um é maior que os outros. Todos os que Deus conheceu de antemão foram predestinados. Todos os predestinados foram chamados. Todos os chamados foram justificados. Todos os justificados entrarão na glória. Aleluia! Pode Deus conhecer de antemão uma centena, mas predestinar apenas noventa, chamar apenas oitenta, justificar cinqüenta e introduzir apenas dez na glória? Deus não pode mudar. É impossível predestinar muitos e chamar poucos. Por favor, lembrem-se que as palavras “aos que” nesses versículos transmitem este significado: “Aos que” Ele de antemão conheceu, a “estes” também predestinou; “aos que” predestinou, a “estes” Ele também chamou; “aos que” Ele chamou, a “estes” também justificou; “aos que” Ele justificou, a “estes” também glorificou. Esses “aos que” unem os cinco elos. Na língua original, a palavra “estes” significa “estas pessoas”. Assim, aos que Ele de antemão conheceu, a “estas pessoas” Ele também predestinou. Aos que predestinou, a “estas pessoas” Ele também chamou. Aos que chamou, a “estas pessoas” Ele também justificou. Aos que justificou, a “estas pessoas” Ele também glorificou. Não podemos ignorar nem um só item. São todos obras de Deus. Se fossem nossas obras, poderíamos salvar alguns por engano, porque não saberíamos quais deveriam ser salvos. Mas se são obras de Deus, não pode haver erro. Se não conhecemos Deus e Suas obras, ainda podemos pensar que há a possibilidade de alguém se perder. Mas se conhecermos Deus e Suas obras, perceberemos que ninguém pode ser subtraído ou acrescentado.

A Bíblia diz que Deus é eterno; Ele nunca é como nós, tendo um começo sem um fim. Deus diz que Ele é o princípio e o fim, o Alfa e o Ômega (Ap 22:13). Ele diz que é o princípio e o fim. Nós, às vezes, temos um princípio sem um fim. Outras vezes, temos um bom fim, mas não sabemos como ter um bom início. Mas Deus é tanto o princípio como o fim. A obra de Deus não pode parar na metade do caminho. Se a salvação for somente o resultado de nossa obra, então fracassar com respeito à questão da salvação significa somente que paramos na metade do caminho. Contudo, sabemos que a salvação é obra de Deus. Foi Deus quem nos salvou. Assim, se não podemos ser salvos de maneira completa, isso não significa que paramos na metade do caminho — significa que Deus parou na metade do caminho. Certamente nunca podemos imaginar que Deus possa parar na metade do caminho.

Filipenses 1:6 diz que foi Deus que começou a boa obra em nós. Uma vez que Deus a começou e Ele mesmo nos deu a salvação, Ele deve completar essa obra até o dia de Cristo Jesus. Devemos lembrar-nos de que a obra de Deus nunca pára no meio do caminho. Ele completará essa obra até o dia de Cristo Jesus, isto é, até Deus glorificar-nos. Podemos ver o âmbito que a Palavra de Deus alcança, quão vasta é essa extensão, quão longa é sua duração e quão profundas são as suas raízes. O versículo 6 diz: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”. Ou Deus não começa ou Ele terá de completar o que começou. Se Deus não nos quisesse salvar, isso seria o fim da história. Mas se Deus quer muito salvar-nos, não haverá maneira de não sermos salvos. Portanto, podemos dizer: “Deus, agradecemos e louvamos-Te porque nossa salvação está eternamente segura”. Se depender de nós para continuar, falharemos. A obra de continuar foi cumprida por Ele; a obra de preservação também foi cumprida por Ele. Nós nunca podemos continuar o que Ele começou.

Quando estava na escola, tive de praticar caligrafia chinesa. Muitas vezes estava com tanta preguiça que pedia a alguns colegas, que eram bons nisso, para fazer para mim. Naturalmente, mais tarde confessei esse pecado. Toda semana tínhamos de nos sujeitar a fazer cinco páginas de caligrafia. Todas elas eram feitas por meus colegas de classe. Em uma ocasião, após um colega meu ter terminado uma linha do exercício de caligrafia, ele teve de ir embora. Ele me disse que estava ocupado e que eu deveria terminar o que ele começou. Quando peguei o pincel, percebi que nunca poderia continuar o que ele havia começado. Sua caligrafia era tão excelente que a minha maneira de escrever simplesmente não poderia equiparar-se à dele. Do mesmo modo, a obra de salvação foi iniciada por Deus. Ele deve ser o único a concluí-la. Se tivéssemos de concluí-la, nunca o faríamos. Se a obra da salvação tivesse de começar com Deus e ser continuada por nós, nenhum de nós estaria qualificado para ser salvo; todos os que querem continuá-la, não conhecem Deus e não conhecem a si mesmos. Se O conhecermos, perceberemos que não há maneira de acabarmos o que Ele começou. E se realmente nos conhecermos, perceberemos que simplesmente não podemos dar-lhe continuidade. Toda a obra de salvação foi cumprida por Ele. Foi Ele quem nos deu salvação. É Ele quem nos salvará totalmente. Nada podemos fazer para preservar nossa salvação.

Assim, vemos duas coisas aqui: Primeira, porquanto a natureza da salvação é graça, é impossível que nós a percamos; segunda, desde que foi Deus quem começou a obra, quem nos conheceu de antemão e nos predestinou, quem nos chamou e nos justificou, quem nos salvou e quem nos introduzirá na glória, se perdermos nossa salvação poremos em dúvida os atributos de Deus.

REGENERAÇÃO E VIDA ETERNA

O terceiro ponto que precisamos considerar é a salvação que Deus nos deu. Que Deus fez por nós e o que Ele nos deu? Todos nós sabemos que Deus nos deu Sua vida. Ele nos regenerou. A todos os que creram Nele e O receberam foi-lhes dado o poder de serem feitos filhos de Deus (Jo 1:12). Somos nascidos de Deus e temos o poder de sermos feitos Seus filhos (vs. 12-13). João 3 diz que nascemos de novo; foi o Espírito Santo quem nos regenerou (v. 6). A Primeira Epístola de João nos diz que o homem pode ser regenerado. Diz que todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus (5:1). Como fomos regenerados? Fomos regenerados por crer em Jesus como o Cristo, a quem Deus designou. Após lermos a respeito desses três versículos, podemos perceber o que um cristão é. Nós, cristãos, somos filhos de Deus. Quando um pecador crê no Senhor Jesus ele é salvo e Deus lhe dá uma nova vida. Isso é regeneração. A Bíblia nos mostra em pelo menos três ou quatro passagens que ser regenerado é receber vida eterna. A Bíblia repetidamente nos mostra que os que recebem vida eterna são os que crêem, e os que crêem têm vida eterna. Isso nos é mostrado repetidamente no Evangelho de João.

Aqui temos um problema. Deus nos deu vida eterna, porém, que devemos fazer? Devemos perceber que isso é tanto o princípio como o fim. Se não desejo relacionar-me com pessoa alguma, tenho duas maneiras de agir. O relacionamento humano é bilateral, ele sempre tem dois lados; portanto, não relacionar-se também envolve dois lados. Primeiro, não deve haver início. Se não houver início, não haverá nem mesmo um relacionamento. Segundo, o relacionamento deve terminar e morrer, e então não haverá mais nenhum relacionamento. Por exemplo, suponha que eu seja um filho mau, um pródigo. Há duas maneiras de meu pai não se relacionar comigo. Primeiro, ele não deveria ter me gerado. Se não houvesse um começo, ele não teria de se relacionar comigo. Mas se já houve um começo, então ele não pode mais usar o primeiro caminho. Neste caso, ele pode apenas esperar dia após dia até que eu morra. Quando eu morrer, meu relacionamento com ele estará acabado. Se não nasci dele, nada tenho a ver com ele. Se morri, eu também não tenho mais nada a ver com ele.

Que aconteceu entre Deus e nós? Deus nos gerou. Na época em que cremos em Jesus, Deus nos gerou com Seu Espírito e com Sua própria vida. Nós nos tornamos os filhos de Deus. Pode esse relacionamento ser desfeito? Se hoje você tem um filho que é mau, indisciplinado e desobediente, você pode renegá-lo no tribunal. Mas ainda há o fato de tê-lo gerado. Ele ainda é seu filho em realidade. Hoje, Deus nos gerou. Ele pode dizer que não nos gerou? Mesmo se nos tornarmos piores do que somos, ainda somos nascidos Dele. Mesmo se nosso pai nos negar, ainda somos nascidos dele. Ninguém pode negar o fato do nascimento. Um bom filho é nascido de seu pai. Um mau filho também é nascido de seu pai. Ninguém pode anular esse relacionamento. Então, quando Deus nos justificou, Ele não o fez como uma pessoa que se livra com duas moedas dos pedintes na rua. Ele disse que nos gerou. Deus está no Espírito e nós também estamos no espírito. Deus e nós temos um relacionamento de pai e filho. Isso é o que o próprio Deus disse. Ele nos deu poder para nos tornarmos filhos de Deus. Ele nos deu vida eterna. Somos filhos de Deus por poder. Isso é o início.

Que pode, então, Deus fazer agora? Ele apenas pode esperar que morramos. Mas o estranho é que nosso relacionamento com Ele começa com a regeneração e termina com a vida eterna. Deus não somente nos gerou, Ele também nos deu vida eterna. Se Deus tivesse começado a obra, mas não tivesse sido capaz de completá-la, nós estaríamos terminados. Nesse caso, não poderíamos ser salvos. Quanto à vida eterna que recebemos de Deus, é impossível Deus não nos salvar. Graças a Deus, pois Ele nos regenerou e nos deu vida eterna, que é a vida do Seu Filho. Se alguém hoje pensa que um cristão pode tornar a perecer caso se torne fraco, e que somente um bom filho de Deus terá a vida eterna, enquanto um mau filho perecerá, essa pessoa não conhece a salvação de Deus. Ele pode pensar que o Senhor é um cobrador de dívidas, vindo cobrar a vida eterna e a redenção. Se agirmos bem, podemos conservá-las. Se não agirmos bem, Ele as tomará de volta. Essa não é a salvação de Deus. O princípio tem de ser Dele. A continuação também tem de ser Dele. Uma vez que Deus nos deu salvação, como podemos perdê-la novamente? Uma vez que Deus começou esse relacionamento e a vida que recebemos é eterna, a qual jamais deixa de existir, então nunca poderemos tornar a perecer.

Deus nos deu outra figura na Bíblia a fim de mostrar-nos que nunca poderemos perder nossa salvação uma vez que a recebemos de Deus. Gênesis 3 nos é uma passagem familiar. Ela nos diz como Adão pecou. Depois que Adão comeu o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, Deus o expulsou do jardim do Éden e guardou o caminho do árvore da vida com o querubim e a espada flamejante que se revolvia (v. 24). Por que Deus teve de cercar a entrada para a árvore da vida com a espada flamejante e o querubim? Por que Ele não permitiu que Adão comesse do fruto da árvore da vida? Gênesis 3:22 diz: “Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente”. Aqui vemos um quadro: todos sabemos que o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal significa independência de Deus. O fruto da árvore da vida, por outro lado, significa vida, isto é, a vida dada a nós pelo Filho de Deus. Depois que Adão pecou, Deus temeu que ele comesse do fruto da árvore da vida, e que, por comê-lo, não morresse. Se Adão ainda morresse após comer o fruto da árvore da vida, então por que Deus teve de tomar tal atitude? Por que Ele teve de guardar o caminho da árvore da vida com o querubim e a espada flamejante? Deus fez isso porque Ele temia que Adão vivesse para sempre se comesse dela.

Somos os que foram redimidos. O que temos comido não é o fruto da árvore da vida, que é apenas uma figura. Temos comido a própria Vida. Ainda podemos morrer? Se Adão nunca pudesse morrer após ter comido um fruto simbólico, como podemos morrer após termos sido lavados pelo sangue do Senhor Jesus, tendo comido da própria árvore da vida e tendo recebido vida eterna? Adão recebeu a árvore da vida como um tipo, enquanto nós recebemos o que a árvore da vida tipifica. Então, como podemos morrer? Somente os que não sabem o que é regeneração e o que é vida eterna conseguem dizer que a salvação pode ser perdida. Damos graças ao Senhor porque a vida eterna é um fato que não pode ser anulado. É uma história que nunca pode ser destruída. Eis por que podemos viver diante de Deus. Que graça Deus nos concedeu! O relacionamento entre Deus e nós é tal que podemos fortemente dizer que nenhum poder na terra pode separar-nos Dele. Mesmo se Deus estivesse insatisfeito a esse respeito, Ele não poderia anular tal relacionamento.

SOMOS OS MEMBROS DE CRISTO

Vamos atentar para um quarto ponto. Quando fomos salvos, Deus não apenas nos regenerou e nos deu vida eterna, mas Ele nos fez um espírito com o Senhor. A Primeira Epístola aos Coríntios diz-nos que não somente nos tornamos um espírito com Cristo, mas nos tornamos membros do Seu Corpo (12:27). Em 1 Coríntios 6:15 temos a mesma palavra. Essa passagem diz que nosso corpo é membro de Cristo. Assim, quando um incrédulo é salvo, ele não apenas recebeu regeneração e vida eterna de Deus, mas ao mesmo tempo foi unido ao Corpo de Cristo para se tornar um membro do Corpo de Cristo. A Bíblia diz que nós somos o Corpo de Cristo.

Se Deus nos salvou um a um em Cristo e se Cristo morreu por nós, purificou-nos de nossos pecados, deu-nos vida eterna e nos levou a ter um relacionamento de vida com Ele para nos tornar Seus membros, qual é nosso fim? A salvação inclui ser um membro do Corpo de Cristo. Se perecêssemos, qual seria o fim? O fim seria que o Corpo de Cristo seria mutilado. Este Corpo teria uma orelha a menos ou metade de um nariz. Teria um dedo da mão ou do pé a menos. O Corpo de Cristo é uma verdade definitiva na Bíblia. Ele é uma coisa concreta. Se nos tornamos um corpo com Cristo após termos sido salvos, o perecer de uma pessoa significará a perda de uma parte do Corpo de Cristo, e o Corpo de Cristo será mutilado.

Certa vez, uma escrava negra estava trabalhando na casa de uma família branca. A dona da casa era uma cristã nominal, mas a mulher negra era uma cristã genuína. O dia todo a escrava cantava jubilosamente. A patroa ficava aborrecida, tão aborrecida com as canções alegres que ela não podia deixar de perguntar por que a escrava estava tão contente. A mulher lhe disse: “A senhora não sabe que Deus enviou Seu Filho, Jesus Cristo, para nos purificar de todos os nossos pecados? A senhora não sabe que estaremos com Deus no futuro? Por que, então, não estaria me regozijando?” A senhora perguntou: “Como você sabe que estará com Deus no futuro? Que acontece se você se perder?” A escrava disse: “O Senhor Jesus nos disse que o Pai é maior do que tudo. Estou nas mãos de meu Pai. Essas mãos estão me sustentando e preservando. Como posso perder-me?” A senhora ponderou a esse respeito por um tempo e, então, disse: “Como você é tola! Se Deus é maior do que tudo, quão grandes Suas mãos serão! Se as coisas podem escorregar por entre seus dedos, então as coisas podem escorregar por entre os dedos Dele também. Visto que Suas mãos são grandes, o espaço entre Seus dedos deve ser grande também. Se você escorregar por entre Seus dedos, Ele nem mesmo notará. Você diz que as mãos Dele a protegerão. Mas Deus é tão grande e você é tão pequena. Não há comparação entre você e Deus. Se você escorregar da mão de Deus, Ele nem perceberá”. A escrava respondeu: “A senhora não entende. Não estou somente em Suas mãos, eu sou um pequeno dedo da Sua mão. Se apenas estivesse em Sua mão, Ele poderia nem notar quando eu escorregasse. Mas se sou um dedinho na mão de Deus, como posso escorregar?” Se um homem creu e se tornou cristão, ele é membro do Corpo de Cristo e um pequeno dedo na mão de Deus. Se sou um membro do Corpo de Cristo, como membro, Deus nunca me permitirá escorregar. Sou grato ao Senhor hoje, porque eu não posso escorregar nunca.

Em Primeira Coríntios 12 é dito que se um membro no corpo sofre, todos os membros sofrem (v. 26). Não podemos ter um dedo machucado enquanto os outros membros permanecem indiferentes. Se todos os cristãos são um membro do Corpo de Cristo e se um dia um de nós tivesse de sofrer no inferno, todos os demais sentiriam o ferimento no céu. Se uma pessoa perecer, então todos os cristãos terão de perecer também. Esta é a unidade do Corpo de Cristo.

Não somente Primeira Coríntios nos diz que somos os membros do Corpo de Cristo, mas outros livros nos dizem o mesmo. O livro de Efésios nos fala do processo pelo qual passa o Corpo de Cristo. Ele também diz que somos os membros de Cristo, mas de modo diferente. A Primeira Epístola aos Coríntios fala sobre o relacionamento e a esfera dos membros. Efésios fala sobre o futuro dos membros. Efésios 5:29-30 diz claramente: “Porque ninguém jamais odiou a própria carne, antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; porque somos membros do seu corpo”. Somos os membros do Corpo de Cristo. Vejamos os versículos antecedentes. Os versículos 25 a 27 dizem: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito”. Se lermos toda essa porção, do versículo 25 ao 30, descobriremos uma coisa: a igreja é o Corpo de Cristo. Cristo está purificando a igreja pela água da palavra. Ele continuamente a lava até que ela se torne santa. O objetivo final é apresentá-la a Si mesmo, igreja gloriosa. Se houver na igreja alguns que perderam a salvação, teremos um Corpo mutilado, e não haverá a apresentação de uma igreja gloriosa. Nem mesmo as pessoas permanecerão, e muito menos a igreja gloriosa. Esta igreja não tem manchas nem rugas nem coisa semelhante. Que significa isso? Efésios 5 explica: “Porém santa e sem defeito”. Ser sem defeito é ser sem qualquer mancha. Se é possível que os membros do Corpo de Cristo pereçam, então não somente haverá manchas, mas partes mutiladas também. Entretanto a Bíblia diz que esse Corpo não apenas não tem membros mutilados, mas ele é sem qualquer defeito.

Portanto, não podemos perder nossa salvação. Já que Cristo terá uma igreja gloriosa sem mancha nem ruga, que será apresentada a Ele santa e sem defeito, nenhum de nós pode perecer.

SOMOS A CASA ESPIRITUAL QUE DEUS ESTÁ EDIFICANDO

Em quinto lugar, a igreja não é somente um Corpo. Quando os cristãos individuais reúnem-se diante de Deus, eles se tornam um templo. Todo cristão é como uma pedra, e a igreja é a casa espiritual que Deus está edificando. O Senhor Jesus é o fundamento desse templo espiritual. Ele é uma grande pedra. Cada um de nós cristãos é uma pequena pedra edificada sobre o Senhor Jesus para nos tornar o templo de Deus e a habitação de Deus. Isso é o que diz 1 Pedro 2:5. Se houvesse a possibilidade de um cristão perecer, o templo de Deus se tornaria mais desagradável à vista que uma velha casa, pois num minuto essas pedras seriam tiradas e no minuto seguinte elas seriam recolocadas, e as paredes estariam cheias de buracos. Se esse fosse o caso, por que Deus não mudou de idéia antes de salvar os homens? Deus pretende que sejamos edificados casa espiritual. Se a casa é espiritual, então nem uma pedra pode ser perdida. Se alguma pedra pudesse ser perdida, a casa espiritual estaria com problemas e não seria edificada adequadamente.

O relato no Antigo Testamento, em 1 Reis 6:7, diz-nos como o templo de Salomão foi edificado. O capítulo 5 relata sobre Salomão enviando homens às montanhas para cortar pedras. As pedras já vinham lapidadas das montanhas. Conforme o capítulo 6, elas foram removidas do monte Moriá para a edificação. Assim, quando o templo foi edificado, não houve som de instrumentos de ferro. Não havia mais necessidade de lapidar. Os peritos calcularam com precisão e prepararam todas as coisas na montanha antes que os materiais fossem removidos para o templo. Não havia mais necessidade de aperfeiçoamento; tudo foi feito adequadamente. Se ao edificar o templo terreno os peritos de Salomão puderam cortar tão bem as pedras de maneira que se encaixassem perfeitamente, a ponto de não haver necessidade de acabamento no local da construção, poderia Deus mudar-nos, as pedras vivas, uma vez a cada dois ou três dias, enquanto Ele edifica o templo espiritual? Poderia Deus cometer tal equívoco? Deus não saberia como calcular? Deus é pior que o homem? No Antigo Testamento, Deus usou homens para edificar. No Novo Testamento, Ele próprio edifica. A obra de Deus é inferior à do homem? Se os cristãos são as pedras para a edificação da casa espiritual, podem eles se perder? Portanto, se estamos no templo de Deus, nunca podemos perder-nos.

TEMOS O ESPÍRITO SANTO COMO SELO E PENHOR

Em sexto lugar, temos outra coisa importante e maravilhosa: no momento em que cada incrédulo é salvo, ele não somente recebe a vida eterna e se torna um membro do Corpo de Cristo e uma pedra viva no templo, como recebe o Espírito Santo como selo. Deus colocou o Espírito Santo nele como selo. Efésios 1:13-14 diz: “Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido”. Não é essa a nossa história? Ouvimos o evangelho da nossa salvação e cremos em Cristo. Que aconteceu após crermos? Fomos selados com o Espírito Santo da promessa. Todo cristão tem o Espírito Santo como selo. Evidentemente, o Espírito Santo não pertence somente a alguns cristãos especiais e não são apenas os cristãos especialmente santificados que têm vida. Aqui é dito que todo o que ouviu o evangelho da salvação e creu recebeu o Espírito Santo como selo. Isso prova que o selo do Espírito Santo é algo que todos os cristãos têm em comum. Assim que alguém crê, é salvo e tem o Espírito Santo como selo.

Que significa para um cristão ter o Espírito Santo como selo? Que é um selo? Há mais de três milhões de pessoas em Xangai. Como Deus sabe quem pertence a Ele e quem não pertence? Se você me trouxer uma Bíblia hoje, como sei que ela é sua? Há incontáveis Bíblias iguais à sua. A Sociedade Bíblica recentemente publicou um relatório dizendo que no último ano foram vendidas mais de onze milhões de Bíblias. Entre todas essas Bíblias, como você sabe qual é a sua? Quando vai para casa você põe uma identificação em sua Bíblia para que saibamos que ela é sua. Mesmo que misturasse essa Bíblia com todas as Bíblias do mundo, você ainda poderia identificá-la como sua. Hoje, por haver tantas pessoas no mundo, como você sabe quais as que pertencem a Deus e quais as que não pertencem? Por essa razão, Deus pôs um selo em você, provando que você pertence a Ele. Deus não o selou na testa com um grande carimbo. Ele não é como o anticristo vindouro, que colocará uma marca na testa do homem. Deus pôs o Espírito Santo em você como selo. Todos os que têm o Espírito Santo pertencem a Deus. Todos os que não têm o Espírito Santo não pertencem a Deus. Quando uma pessoa é salva, Deus faz uma obra de selagem e põe o Espírito Santo nela para provar que ela é de Deus.

Se esse selo do Espírito Santo em nós pode ser apagado, então é possível que venhamos a perecer, pois podemos ser considerados como não pertencentes a Ele. Podemos ser considerados pessoas típicas do mundo ou até mesmo inimigos de Deus. Mas se este selo estiver em nosso interior, então pertencemos a Deus. Quanto tempo durará o selo de Deus em nós? A última parte de Efésios 4:30 diz: “No qual fostes selados para o dia da redenção”. Aqui “qual” se refere ao Espírito Santo. A frase anterior diz: “E não entristeçais o Espírito de Deus”. Este último selo durará até o dia da redenção. Por quanto tempo a Bíblia diz que teremos o selo do Espírito Santo? Não o teremos meramente por três ou cinco anos, ou por trezentos ou quinhentos anos, mas até o dia da redenção. Qual é o dia da redenção? Romanos 8 diz que o dia da redenção é o dia em que o Senhor Jesus voltará. O dia da redenção é o dia em que nosso corpo será redimido (v. 23). Assim, ele denota o dia em que o Senhor Jesus voltar. O selo do Espírito Santo permanece em nós até a volta do Senhor Jesus.

Quando o Senhor Jesus voltar (não na época do primeiro arrebatamento no início da tribulação, mas na época em que todo o Corpo será arrebatado), todos os cristãos serão tomados até os ares. O Senhor Jesus enviará anjos para vir e reunir esses cristãos. Os anjos são limitados. Eles não são oniscientes; eles não conhecem todas as coisas. Os anjos são os servos enviados para reunir os convidados. Quando esses anjos virem todos aqueles com o selo do Espírito Santo, eles os ajuntarão. Portanto, o Espírito Santo não está em nós por três ou cinco dias, ou por trezentos ou quinhentos dias, mas estará em nós até o dia do arrebatamento. Hoje, se o homem diz que pode perder sua salvação e perecer, então eu lhe perguntarei o que ele fará com o selo do Espírito Santo. A partir do momento que Deus disse que fomos selados por Ele, nada há que possamos fazer para remover esse selo. Deus disse que esse selo permanecerá até o dia de Jesus Cristo e o dia do arrebatamento.

Em João 14, o Senhor Jesus disse que o Espírito Santo estará conosco para sempre (v. 16). Desde que o Espírito Santo do Novo Testamento entra em nós, Ele nunca mais nos deixará. Nunca creia no desenho que alguns cristãos fazem, o qual apresenta um homem com um coração cheio de cobras, porcos, cachorros e muitos outros animais. Junto ao coração está uma pomba representando o Espírito Santo. Quando um coração estiver limpo, o Espírito Santo supostamente entrará nele e ficará ali e todos os outros animais sairão. Mas se o coração não estiver limpo, a pomba voará e todas as outras coisas entrarão. Isso é totalmente errado! O Espírito Santo nunca pode ir embora.

A Bíblia diz que não devemos entristecer o Espírito Santo (Ef 4:30). Tristeza é expressão de amor; raiva é expressão de ódio. Onde há ódio há ira. Onde há amor há tristeza. Por favor, lembrem-se de que tanto a raiva quanto a tristeza provêm de erros. Em ambos os casos elas foram causadas por erros. Se houver amor, os erros resultarão em tristeza. Se houver ódio, os erros resultarão em raiva. Se ama uma pessoa, você ficará triste pelos erros dela. Se odeia uma pessoa, você se irritará por causa dos erros dela. Ambos são causados pela mesma coisa: erros. Mas os resultados são diferentes. Aqui, não há raiva, mas tristeza. A Palavra não diz para não provocar à ira o Espírito Santo. Antes, ela diz para não entristecer o Espírito Santo. Ele não está sobre nós, mas em nós. Quando Ele vê nossa falha, Ele se entristece conosco; Ele não vai embora. Por que Ele não vai embora? Porque Ele é um selo. Como selo, Ele estará em nós até o dia da redenção. Se lermos a Palavra de Deus não seremos capazes de negar esse fato.

No Antigo Testamento, o Salmo 51 relata uma oração muito preciosa. Aqui Davi orou para que o Senhor não retirasse dele o Seu Santo Espírito (v. 11). Mas no Novo Testamento nenhum cristão pode orar dessa forma. Todos os que não conhecem a Bíblia podem orar para que Deus não retire deles o Espírito Santo. Mas todos os que conhecem a Palavra de Deus sabem que o Espírito Santo pode apenas ficar entristecido em nós; Ele não irá embora. Não estou dizendo que é certo os cristãos pecarem. Estou dizendo que quando fomos salvos o Espírito Santo entrou em nós para ser nosso selo. Este fato nada tem a ver com nossa fraqueza ou nosso pecado. São duas questões inteiramente diferentes.

Se perecermos, quem realmente sofre? Se eu perder um hinário, naturalmente, o hinário sofrerá. Mas o primeiro a sofrer sou eu. Gastei dinheiro para comprar o hinário. Paguei o preço para obtê-lo. Então eu sou o que mais sofre. Como Deus nos obteve? Nós estávamos mortos em pecados e caídos. Foi Deus quem levou Seu Filho a morrer por nós e derramar Seu sangue para nos redimir por um alto preço. Não pense que se perdermos nossa salvação somente nós a perdemos e somente nós sofremos. Lembrem-se de que fomos comprados por Deus. Se perdermos nossa salvação, Deus também perderá algo. Fomos comprados por Seu sangue. Por que Deus nos preserva? Deus nos preserva por causa Dele mesmo. Se nos perdermos, quem sofre não somos nós, mas Deus.

O maior problema hoje é que não cremos quão importantes somos nas mãos de Deus. O homem nunca crê que Deus o ama. Ele nunca crê que Deus o quer. Ele sempre pensa que é desnecessário para Deus. Deus entregou Seu Filho por nossa causa e enviou Seu Filho ao mundo para passar por todos os sofrimentos por nossa causa. Ele foi crucificado com o propósito de nos adquirir. Se Ele não se importa, quem então se importará? Se eu não tomar conta de meu hinário, será que o meu hinário cuidará de si mesmo? Efésios 1:13 diz que o Espírito Santo está em nós como um selo. A seguir, o versículo 14 nos diz que o Espírito Santo vem para ser o selo porque somos propriedade adquirida por Deus. Por isso podemos dizer a todo o mundo que somos propriedade de Deus. Não é uma questão de nossa perda ou não. Não somos nós que estamos tomando conta. Não temos de nos preocupar com essa questão. Toda obra é Dele. Se não fosse, por que Ele enviaria Seu Filho unigênito para a cruz? Se Ele fez um grande esforço e pagou um alto preço para enviar Seu Filho à cruz, Ele deve esforçar-se ainda mais e pagar um preço maior para impedir que venhamos a nos perder.

Suponha que você tenha o mais caro e precioso anel de diamante, a pérola mais preciosa ou uma pedra preciosa muito cara. O que gastou para adquiri-la é o quanto gastará para guardá-la. Se você a comprou por dez mil dólares, não desejará perdê-la facilmente; certamente você irá guardá-la bem trancada. Temos de perceber que fomos comprados por Deus pelo mais alto preço. Fomos salvos pelo Filho de Deus. O Filho de Deus é maior do que todo o mundo e todo o universo. Não pense que Deus não cuida de nós. Deus nos trata do mesmo modo que tratamos nosso tesouro. Foi o bom pastor que procurou a ovelha (Lc 15). Não foi a ovelha que procurou o bom pastor. O Senhor Jesus disse que um dia Ele morreria até mesmo por um único perdido. Essa não é uma função da ovelha. Foi o bom Pastor que morreu pela ovelha. Diante de Deus somos os que foram comprados por Ele. Se nos perdermos, Deus é quem sofrerá. Por isso, devemos lembrar-nos de que desde que temos o Espírito Santo como um selo, não há possibilidade de nos perdermos.

Pode a graça que Deus deu ao homem ser preservada pelo homem? Se ela tivesse de ser preservada pelo homem, já nos teríamos perdido há muito tempo. Não somente nos teríamos perdido, mas Pedro e Paulo a teriam perdido também. Temos de perceber que Deus já nos separou totalmente. Tudo é de Deus. Foi somente Deus quem nos salvou. É somente Deus quem nos está preservando. Que Deus nos mostre claramente quão perene é a nossa salvação, para que possamos remover todos os pensamentos carnais acerca dela e aceitar os pensamentos Dele.